Sexta-feira, Abril 30, 2004
Sob o sol
Pulsa intermitente, no peito do homem,
Legítima fúria de animal acuado.
Sob o sol das quatro da tarde
Chora no corpo da amante.
Dúvidas passam na cabeça do homem.
É fantasia maligna ou crueldade real?
Desvario da idade, garrafas a mais,
Efeito das marés ou do orgulho do possuir?
O medo cresce
Tomando membros e tronco do homem ajoelhado
Na poça de lama tingida de vermelho.
O vento traz mensagens
De espíritos vingativos e traiçoeiros.
O homem não as entende
É só tristeza o que forma as suas lágrimas.
Agora, a justiça deve ser concluída,
Murmuram fantasmas.
Esqueça felicidades passadas,
Risos, beijos, promessas.
Esqueça tudo o que disseram sobre amor,
Seja o divino, o próprio ou o dedicado aos outros.
Esqueça a beleza do amanhecer depois de uma noite de paixão,
Sussurram no seu ouvido zombeteiros deuses.
O vazio toma conta dos pensamentos do homem
E as palavras perdem o sentido original.
Agora tudo está fora de alcance
E pode ser visto apenas de relance.
Então, com apenas um movimento,
Rápido, brusco, surpreendente,
O homem consegue sua paz.
Pulsa, sufocando o ambiente,
Permanente e estranha paz sob o sol das quatro.
Edgar Borges
Sexta-feira, Abril 23, 2004
Através do universo
Palavras estão fugindo como
Chuva sem fim dentro de um copo de papel
Elas escorregam enquanto passam
Escapolem através do universo
Lagos de tristeza tremulam de alegria
Estão flutuando pela minha mente aberta
Me possuindo, me acariciando
Nada vai mudar meu mundo
Imagens de uma luz interrompida
As quais dançam diante de mim como milhares de olhos
Que me convidam através do universo
Sinuosos pensamentos como um vento turbulento dentro de uma caixa de correio
Eles tombam cegamente como se fizessem seu caminho através do universo
Sons de risadas, sombras da terra
Estão surgindo através de minhas visões abertas
Me incitando, me convidando
Renascendo o amor sem limites
O qual brilha ao meu redor como milhares de sóis
Me convidando através do universo
John Lennon
Jabá gratuito
Quem não viaja ouvindo um som de boa qualidade? Clássicos que marcaram época, mitos da música mundial. Prepare-se, pois neste sábado (24) você vai ter a oportunidade de voltar no tempo com a Banda Mr. Jungle na Dunia Music. Parece um jabá, mas não é. O pessoal da Mr. Jungle Band é bom e o repertório melhor ainda. Vai de Led Zepellin a Beatles, passando por Gentle Giants, Deep Purple, Pink Floyd, Yearbirds, Cream, Yes, entre outros. Para quem gosta de atualidades eles fazem jam sessions fantásticas de O Rappa, Capital Inicial, Black Crowse... O ultimato é de Adryano Joseph, guitarrista da banda.
Terça-feira, Abril 20, 2004
Quem?
Não sabemos quantos de nós
seriam necessários para mudar o mundo
Ele não sabe quantos dele mesmo
serão necessários para mudar o mundo
Você também não sabe qual você
será necessário para mudar o mundo
Eu não sei quem sou
nem se sou necessário para mudar o mundo
Mas... quem somos nós?
Quantos de mim? Quais eles e quantos você?
Será que somos necessários para mudar o mundo?
Sábado, Abril 10, 2004
Modo de ser
Cruzamentos, congestionamentos, estacionamentos. Elas estão em cada esquina, em cada engarrafamento, em cada festa. Elas estão em muitos lugares. Elas querem comer, talvez conhecer, talvez aprender. Elas querem ganhar a vida, receber para viver. Elas não sabem os riscos que correm, não sabem quanto tempo perdem de suas vidas, não sabem que ainda são crianças.
São crianças afoitas por muito pouco. São crianças que se contentam com quase nada. São crianças que ainda não sabem cobrar, são crianças que não sabem dever.
Elas apenas pagam por tudo. Pagam pela discriminação que sofrem, pagam pela conquista sonhada, pagam por ilusões. Elas pagam com a carne, com os olhos, com as mãos, com as cabeças. Elas pagam porque perdem, aos poucos, a capacidade de pensar, de lutar e de se fortalecerem para poder cobrar.
Essas são as crianças das grandes cidades. Mas qual a diferença das ribeirinhas? Elas também pagam por tudo, até mesmo pela coragem que têm. São crianças famintas, ávidas por educação, por conquistas, pela glória. Muitas crianças sofrem em qualquer canto do Brasil. Nas esquinas movimentadas e poluídas e nos rios com cheiro de natureza. Nos cruzamentos envoltos de marginais e de aproveitadores e nos rios margeados por matas ao som de trilhas sonoras dos mais diversos pássaros.
O belo, na maioria dos casos, é a pureza que elas mantêm mesmo tendo aparências impuras e marginalizadas. Esse é o modo de viver de muitas crianças Brasil afora.
Domingo, Abril 04, 2004
Apenas lembrar
Quinta-feira, Abril 01, 2004
1982
Fique certo de que todos nós somos iguais
Fique perto de alguém e ache uma diferença
Depois não pense que é coincidência
Pois a única diferença está no que você pensa
Talvez existam cabeças iguais
Talvez existam pensamentos iguais
Mas a igualdade está apenas na aparência
Pois o que você pensa é a nossa diferença
Você diz em seus discursos:
penso que vai melhorar
Mas o que eu penso é que vai piorar
Você diz em cadeia nacional
o que fez durante o mês
e todos vêem com os próprios olhos o que realmente fez
Fez um novo jóquei para cavalos
Você pensa que nós somos cavalos
Porém isso é só o que você pensa
Pois somos mesmo é escravos
Escravos daquilo que você pensa
Não do que você diz
Pois o que você diz é a diferença
Diferença do que pensas
Pensas em fazer uma grande construção
Quer ser lembrado para sempre
E enquanto você o chefão
Nós sofreremos com a sua ilusão
Ilusão de ser o único diferente
Diferença que não existe
Porque todos nós somos iguais
Todos animais
Alguns racionais
Outros...
(Escrita em 1982 na cidade de Brasópolis- MG. Homenagem ao militar Figueiredo)