Tudo que nós precisamos é de paz e amor!

É bom:
Cerva, blues, rock'n'roll, natureza, paz, tranquilidade e um monte de coisas mais.

O ruim:
Eu evito!

Nei Costa
neicosta12@hotmail.com

Passado:


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Quinta-feira, Julho 22, 2004

Carta ao Presidente Bush de Mia Couto
(27-3-2003)


A legitimidade da guerra no Iraque numa carta de Mia Couto dirigida ao Presidente George W. Bush.


Senhor Presidente:
Sou um escritor de uma nação pobre, um país que já esteve na vossa lista negra. Milhões de moçambicanos desconheciam que mal vos tínhamos feito. Éramos pequenos e pobres: que ameaça poderíamos constituir ? A nossa arma de destruição massiva estava, afinal, virada contra nós: era a fome e a miséria...
Alguns de nós estranharam o critério que levava a que o nosso nome fosse manchado enquanto outras nações beneficiavam da vossa simpatia. Por exemplo, o nosso vizinho - a África do Sul do "apartheid" - violava de forma flagrante os direitos humanos.
Durante décadas fomos vítimas da agressão desse regime. Mas o regime do "apartheid" mereceu da vossa parte uma atitude mais branda: o chamado "envolvimento positivo". O ANC esteve também na lista negra como uma "organização terrorista!". Estranho critério que levaria a que, anos mais tarde, os taliban e o próprio Bin Laden fossem chamadas de "freedom fighters" por estrategas norte-americanos.
Pois eu, pobre escritor de um pobre país, tive um sonho. Como Martin Luther King certa vez sonhou que a América era uma nação de todos os americanos. Pois sonhei que eu era não um homem mas um país. Sim, um país que não conseguia dormir. Porque vivia sobressaltado por terríveis factos. E esse temor fez com que proclamasse uma exigência. Uma exigência que tinha a ver consigo, Caro Presidente. E eu exigia que os Estados Unidos da América procedessem à eliminação do seu armamento de destruição massiva.
Por razão desses terríveis perigos eu exigia mais: que inspectores das Nações Unidas fossem enviados para o vosso país. Que terríveis perigos me alertavam? Que receios o vosso país me inspiravam? Não eram produtos de sonho, infelizmente. Eram factos que alimentavam a minha desconfiança. A lista é tão grande que escolherei apenas alguns:
- Os Estados Unidos foram a única nação do mundo que lançou bombas atómicas sobre outras nações;
- O seu país foi a única nação a ser condenada por "uso ilegítimo da força" pelo Tribunal Internacional de Justiça;
- Forças americanas treinaram e armaram fundamentalistas islâmicos mais extremistas (incluindo o terrorista Bin Laden) a pretexto de derrubarem os invasores russos no Afeganistão;
- O regime de Saddam Hussein foi apoiado pelos EUA enquanto praticava as piores atrocidades contra os iraquianos (incluindo o gaseamento dos curdos em 1998);
- Como tantos outros dirigentes legítimos, o africano Patrice Lumumba foi assassinado com ajuda da CIA. Depois de preso e torturado e baleado na cabeça o seu corpo foi dissolvido em ácido clorídrico;
- Como tantos outros fantoches, Mobutu Seseseko foi por vossos agentes conduzido ao poder e concedeu facilidades especiais à espionagem americana: o quartel-general da CIA no Zaire tornou-se o maior em África. A ditadura brutal deste zairense não mereceu nenhum reparo dos EUA até que ele deixou de ser conveniente, em 1992;
- A invasão de Timor Leste pelos militares indonésios mereceu o apoio dos EUA. Quando as atrocidades foram conhecidas, a resposta da Administração Clinton foi "o assunto é da responsabilidade do governo indonésio e não queremos retirar-lhe essa responsabilidade";
- O vosso país albergou criminosos como Emmanuel Constant um dos líderes mais sanguinários do Taiti cujas forças para-militares massacraram milhares de inocentes. Constant foi julgado à revelia e as novas autoridades solicitaram a sua extradição. O governo americano recusou o pedido;
- Em Agosto de 1998, a força aérea dos EUA bombardeou no Sudão uma fábrica de medicamentos, designada Al-Shifa. Um engano? Não, tratava-se de uma retaliação dos atentados bombistas de Nairobi e Dar-es-Saalam;
- Em Dezembro de 1987, os Estados Unidos foi o único país (junto com Israel) a votar contra uma moção de condenação ao terrorismo internacional. Mesmo assim, a moção foi aprovada pelo voto de cento e cinquenta e três países;
- Em 1953, a CIA ajudou a preparar o golpe de Estado contra o Irão na sequência do qual milhares de comunistas do Tudeh foram massacrados. A lista de golpes preparados pela CIA é bem longa.
- Desde a Segunda Guerra Mundial, os EUA bombardearam: a China (1945-46), a Coreia e a China (1950-53), a Guatemala (1954), a Indonésia (1958), Cuba (1959-1961), a Guatemala (1960), o Congo (1964), o Peru (1965), o Laos (1961-1973), o Vietename (1961-1973), o Camboja (1969-1970), a Guatemala (1967-1973), Granada (1983), Líbano (1983-1984), a Líbia (1986), Salvador (1980), a Nicarágua (1980), o Irão(1987), o Panamá (1989), o Iraque (1990-2001), o Kuwait (1991), a Somália (1993), a Bósnia (1994-95), o Sudão (1998), o Afeganistão (1998), a Jugoslávia (1999).
- Acções de terrorismo biológico e químico foram postas em prática pelos EUA: o agente laranja e os desfolhantes no Vietname, o vírus da peste contra Cuba que durante anos devastou a produção suína naquele país.
- O Wall Street Journal publicou um relatório que anunciava que 500 000 crianças vietnamitas nasceram deformadas em consequência da guerra química das forças norte-americanas.
Acordei do pesadelo do sono para o pesadelo da realidade. A guerra que o Senhor Presidente teimou em iniciar poderá libertar-nos de um ditador. Mas ficaremos todos mais pobres. Enfrentaremos maiores dificuldades nas nossas já precárias economias e teremos menos esperança num futuro governado pela razão e pela moral. Teremos menos fé na força reguladora das Nações Unidas e das convenções do direito internacional. Estaremos, enfim, mais sós e mais desamparados.
Senhor Presidente:
O Iraque não é Saddam. São 22 milhões de mães e filhos, e de homens que trabalham e sonham como fazem os comuns norte-americanos. Preocupamo-nos com os males do regime de Saddam Hussein que são reais. Mas esquece-se os horrores da primeira guerra do Golfo em que perderam a vida mais de 150 000 homens...
O que está destruindo massivamente os iraquianos não são as armas de Saddam. São as sanções que conduziram a uma situação humanitária tão grave que dois coordenadores para ajuda das Nações Unidas (Dennis Halliday e Hans Von Sponeck) pediram a demissão em protesto contra essas mesmas sanções. Explicando a razão da sua renúncia, Halliday escreveu: "Estamos destruindo toda uma sociedade. É tão simples e terrível como isso. E isso é ilegal e imoral". Esse sistema de sanções já levou à morte meio milhão de crianças iraquianas.
Mas a guerra contra o Iraque não está para começar. Já começou há muito tempo. Nas zonas de restrição aérea a Norte e Sul do Iraque acontecem continuamente bombardeamentos desde há 12 anos Acredita-se que 500 iraquianos foram mortos desde 1999. O bombardeamento incluiu o uso massivo de urânio empobrecido (300 toneladas, ou seja 30 vezes mais do que o usado no Kosovo).
Livrar-nos-emos de Saddam. Mas continuaremos prisioneiros da lógica da guerra e da arrogância. Não quero que os meus filhos (nem os seus) vivam dominados pelo fantasma do medo. E que pensem que, para viverem tranquilos, precisam de construir uma fortaleza. E que só estarão seguros quando se tiver que gastar fortunas em armas.
Como o seu país que despende 270 000 000 000 000 dólares (duzentos e setenta biliões de dólares) por ano para manter o arsenal de guerra. O senhor bem sabe o que essa soma poderia ajudar a mudar o destino miserável de milhões de seres. O bispo americano Monsenhor Robert Bowan escreveu- lhe no final do ano passado uma carta intitulada "Porque é que o mundo odeia os EUA?"
O bispo da Igreja Católica da Florida é um ex--combatente na guerra do Vietname. Ele sabe o que é a guerra e escreveu: "O senhor reclama que os EUA são alvo do terrorismo porque defendemos a democracia, a liberdade e os direitos humanos. Que absurdo, Sr. Presidente ! Somos alvos dos terroristas porque, na maior parte do mundo, o nosso governo defendeu a ditadura, a escravidão e a exploração humana...
Somos alvos dos terroristas porque somos odiados. E somos odiados porque o nosso governo fez coisas odiosas. Em quantos países agentes do nosso governo depuseram líderes popularmente eleitos substituindo-os por ditadores militares, fantoches desejosos de vender o seu próprio povo às corporações norte-americanas multinacionais ? E o bispo conclui: O povo do Canadá desfruta de democracia, de liberdade e de direitos humanos, assim como o povo da Noruega e da Suécia.
Alguma vez o senhor ouviu falar de ataques a embaixadas canadianas, norueguesas ou suecas? Nós somos odiados não porque praticamos a democracia, a liberdade ou os direitos humanos. Somos odiados porque o nosso governo nega essas coisas aos povos dos países do Terceiro Mundo, cujos recursos são cobiçados pelas nossas multinacionais."
Senhor Presidente:
Sua Excelência parece não necessitar que uma instituição internacional legitime o seu direito de intervenção militar. Ao menos que possamos nós encontrar moral e verdade na sua argumentação. Eu e mais milhões de cidadãos não ficamos convencidos quando o vimos justificar a guerra. Nós preferíamos vê-lo assinar a Convenção de Quioto para conter o efeito de estufa. Preferíamos tê-lo visto em Durban na Conferência Internacional contra o Racismo. Não se preocupe, senhor Presidente.
A nós, nações pequenas deste mundo, não nos passa pela cabeça exigir a vossa demissão por causa desse apoio que as vossas sucessivas administrações concederam apoio a não menos sucessivos ditadores. A maior ameaça que pesa sobre a América não são armamentos de outros. É o universo de mentira que se criou em redor dos vossos cidadãos.
O perigo não é o regime de Saddam, nem nenhum outro regime. Mas o sentimento de superioridade que parece animar o seu governo. O seu inimigo principal não está fora. Está dentro dos EUA. Essa guerra só pode ser vencida pelos próprios americanos. Eu gostaria de poder festejar o derrube de Saddam Hussein. E festejar com todos os americanos. Mas sem hipocrisia, sem argumentação e consumo de diminuídos mentais. Porque nós, caro Presidente Bush, nós, os povos dos países pequenos, temos uma arma de construção massiva: a capacidade de pensar.

Postado por Nei Costa, em 6:49 PM
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Quinta-feira, Julho 15, 2004

Encontro

O grande músico Jatai D'Albuquerque e Nei Costa nos bastidores do Infocom

Postado por Nei Costa, em 7:53 PM
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No teatro...
_Não entendo muito de política, mas sei que tudo o que estão fazendo é errado. Por isso, quero mostrar onde estão, quantos são e como resolver os problemas criados pelos políticos.
_Quero continuar dizendo....
_Mas se você não entende de política como quer fazer isso?
_Minha senhora, isso aqui não é uma entrevista coletiva.
_Sei disso, mas como posso aceitar um leigo falando do que ele não sabe e nem entende?
_Olha, isso não é problema meu e nem das demais pessoas que pagaram ingresso para assistir o espetáculo. Então, gostaria que fizesse silêncio para que eu possa continuar.
_Bom, quero continuar dizendo...
_Ei, psiu, você não acha que foi mal educado com aquela senhora?
_Gente, isso aqui é um monólogo e nem bem comecei e já fui interrompido duas vezes. Vocês precisam ouvir e assistir para depois tirar suas conclusões.
_Ei, então antes de continuar explica melhor o que é um monólogo.
_Não posso fazer isso agora porque tenho uma peça para apresentar e tempo para fazer isso. A senhora deveria vir sabendo do que se tratava.
_Ah sim, eu vim porque no anúncio tava falando de soluções para os problemas políticos do Brasil, mas logo de cara você disse que não entende nada. Então eu fiquei pensando...se esse cara não entende nada, por que eu estou aqui e por que ele está? Agora você vem com esse papo de monólogo.
_Tá apoiada, estou contigo e não abro, parece que perdi meu tempo vindo aqui e até agora nada, nem política, nem solução e nem esse tal de monólogo.

Postado por Nei Costa, em 7:42 PM
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Terça-feira, Julho 13, 2004

Pane geral
Depois de alguns dias super atarefado na empresa e na Universidade, finalmente arrumei um tempinho para postar um artigo sobre política. Pois é, a cada dia fico menos impressionado com com as costuras, acordos, coligações e uniões políticas. Mas temos uma arma que deve ser usada com eficiência: o voto.

Postado por Nei Costa, em 10:09 AM
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Memória curta
Mais um processo político eleitoral se aproxima e outra vez nos deparamos com situações sui generis. Cinco candidatos estão definidos, mas apenas dois deles têm reais possibilidades de chegar ao topo no final de outubro.
Ora, mas por que cinco disputam se só dois podem vencer? Porque as pessoas, principalmente os eleitores, têm memória curta. E olha que o processo político-democrático no Estado é novo, completa apenas 14 anos em 2004.
Se retornarmos no tempo para lembrar da primeira eleição para governador do Estado, vamos observar que os grandes opostos políticos daquele tempo, hoje estão aliados e alinhavados, concentrando elogios mútuos e se propondo a conceder todo tipo de apoio para alcançar o trono real do palácio Nove de Julho.
No início da década de 90 do século passado, o grupo político liderado pelo casal Jucá doutrinava seus séquitos a odiar tudo e todos ligados ao grupo liderado por Ottomar Pinto. As disputas políticas mais pareciam guerras, com cabos eleitorais se transformando em cabos da guerra, enquanto que nos bastidores os generais conversavam sobre o futuro de Roraima.
No início desse século aconteceu o que poucos acreditavam: os grupos de Jucá e Ottomar se uniram para enfrentar o novo detentor do poder, no caso Neudo Campos.
Mas a política é interessante por isso mesmo. Quem não se lembra que em 1994 Ottomar Pinto lançou como candidato ao governo o empresário Neudo Campos? Naquele ano o casal Jucá apoiava Getúlio Cruz, mas a campanha política foi marcada por denúncias, críticas, brigas e muitas, muitas acusações.
A política dá voltas. Antes, os Jucá eram adversários de Ottomar que apoiava Neudo. Hoje, os Jucá são aliados de Ottomar que é adversário de Neudo. O imbróglio político pode ser resumido assim: antes, para o casal Jucá, Ottomar não prestava, seus asseclas eram mal educados, se vestiam como farrapos e não sabiam falar. Para Ottomar, os Juca e seus seguidores eram aproveitadores e estavam dispostos a saquear Roraima, caso conseguissem o poder. Antes, Neudo era o menino dos olhos do grupo de Ottomar e hoje é o deslocamento crônico da retina.
Mas e os outros três candidatos? Um ninguém conhece, nunca viu ou sabe de onde vem: Júnior da Vanda. O outro já foi prefeito biônico, é de família tradicional, mas está só, num partido de onde deveria ter apoio de Ottomar e seus seguidores. Então por que Júlio Martins é candidato? Por último temos Otoniel Ferreira. Dos cinco, parece o mais coerente em suas posições políticas e morais. Sempre foi adversário político de Ottomar e por muitos anos esteve ao lado do casal Jucá. Ele se afastou quando Teresa e Romero resolveram se unir a Marluce e Ottomar, mostrando que é coerente.
A eleição está se aproximando e nesse momento a disputa está entre Teresa Jucá e Neudo Campos. Os partidários estão preparando suas armas. Quando começar a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV, as maracutaias, denúncias de desvio de verbas, prisões por formação de quadrilha e outras baixarias serão lançadas.
Mas como o povo tem memória curta e não considera o passado como fator de avaliação para o presente, é possível que o próximo prefeito da capital faça parte do mesmo saco que vem sendo carregado por Roraima há 14 anos.

Postado por Nei Costa, em 10:05 AM
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