Tudo que nós precisamos é de paz e amor!

É bom:
Cerva, blues, rock'n'roll, natureza, paz, tranquilidade e um monte de coisas mais.

O ruim:
Eu evito!

Nei Costa
neicosta12@hotmail.com

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Segunda-feira, Novembro 29, 2004

Documentário
Os acadêmicos de Comunicação da Universidade Federal de Roraima exibiram documentários durante o segundo Infocom, realizado na semana passada. Trabalhos interessantes e que mostram um pedaço da realidade roraimense sem máscaras.
Os trabalhadores que produzem tijolos num local chamado Vila Vintém foram as personagens de uns dos trabalhos. Vida dura, difícil, sem apoio e sem estrutura. O sofrimento e a luta daqueles que chegaram a Roraima esperando conseguir dias melhores, mas que acabaram vendo que as promessas e as informações não eram confiáveis.
A arte da periferia foi o tema do trabalho de outro grupo (o meu). A vida de um adolescente e as suas transformações através da arte foi o enfoque do documentário. Garoto esperto, que vivia apanhando do pai e que resolveu juntar-se às galeras e praticar pequenos delitos, entrar em brigas, e, algumas vezes, correr o risco de matar ou morrer.
O jovem acreditou no seu talento como desenhista e hoje ocupa o seu tempo com a arte. Seus sonhos, sua fé, sua ambição e suas conquistas são relatadas de forma crua. Interferências só mesmo na edição. É a arte mudando a vida de um adolescente.
A vida de duas personalidades conhecidas do público roraimense foi o tema de outro documentário. Um escritor e uma política falam de Roraima e das suas vidas no Estado. Como chegaram, o que fizeram e quais as perspectivas para o fututo.
O escritor mostra o seu romantismo quando o assunto é Roraima. Fala de suas aventuras e de suas visões. A política fala das suas conquistas, mas em determinado momento mostra o que muitos já sabem. Fatores discriminatórios contra índios especialmente estão enraizados nas mentes da elite estadual. Também o sistema paternalista e assistencialista que gera frutos eleitorais (votos) por muitos e muitos anos.
Outros dois trabalhos foram exibidos, mas não posso comentar porque não tive tempo de assistir. Mas no geral, o conteúdo deixa claro que a universidade está abrindo espaço e os acadêmicos estão sabendo como utilizá-los da forma mais positiva possível para a própria sociedade.

Postado por Nei Costa, em 11:47 AM
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Terça-feira, Novembro 23, 2004

Na periferia
Noite de sábado. Dez, 15 quilômetros longe do Centro da cidade. Nem sei se o Centro é cá ou lá. Não importa. Reegae, gente que pensa, gente falando de arte. Gente fazendo música. Música e diálogo positivo na periferia. Parece longe para quem não sabe o que é longe. Parece perto para quem sabe que é isso que pode estar muito mais perto do que parece. É a arte na periferia. Parece estranho, mas é isso.
Olho em volta e vejo gente que parece estar longe disso. Mas não. Essa gente está perto. Saem do Centro para a periferia para ver, estar, para prestigiar. Gente com opções vagas, opções reais e conscientes.
Meu moleque bate palmas, dança, vibra. Ele sente isso. Minha cara surpreende-se, olha, espanta-se, cala-se. Minha mini-cara também. O moleque agita, dança, pula, bate palmas. É novo, novidade. Mas ele não sabe onde está. A minha cara surpreende-se mais uma vez. Não entende. Olha para suas pernas e elas estão vibrando. É sintomático.
Minha meia cara acorda, olha, repara e se agita. É! É a arte na periferia. Poesia e reegae com muito suingue. Já é hora de Altas Horas. Mas são só onze. Já pensou? O cara diz que são 33 discos. Ele toca um samba na caixa de fósforos. Me lembro do momento passado, vem o reegae, a poesia. O cara é bom também. Mas o melhor é a arte na periferia de Boa Vista. O circo está vivo e deve viver bem mais. Mais pessoas têm que viver esses momentos. Faz bem!

Postado por Nei Costa, em 12:45 AM
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Quarta-feira, Novembro 17, 2004

Aprendiz
Dia 16 de novembro de 1962. Uma pequena cidade próxima do vale do Rio Doce e da divisa com o Espírito Santo. Nem imagino como estava aquele dia. Sei apenas que na família Costa Pereira a expectativa era pela chegada de mais uma cria. Dona Dina estava grávida, perto de ter seu décimo filho. Dois deles não tiveram a oportunidade de conhecer a vida.
Uma mulher lutadora, vida na roça, família conservadora, religião pulsando nas veias. Mas o que saiu errado? A criança nasceu, cresceu e se distanciou. Criou uma nova família, gerou filhos. Passou um pedaço da vida vagando por lugares diferentes, conhecendo pessoas diferentes, culturas diversas.
Um dia parou para pensar nas coisas que aconteceram. Cinco minutos depois parou e ficou chateado: pô, apenas cinco minutos por tudo? Olha que neste momento já foram dez e nada. Nem sei se comecei. Bem, faz tempo que tudo isso aconteceu. Não sei se as lembraças são vagas ou se o acúmulo de informações é que prejudica o meu agora. Será que o tempo é o responsável? Sei não, talvez esteja apenas perdendo a memória.

Postado por Nei Costa, em 4:01 PM
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Terça-feira, Novembro 16, 2004

Andanças
Clima estranho nas repartições públicas estaduais. As pessoas andam pelos corredores sem saber o quê pensar ou fazer. Elas estão aguardando as decisões dos novos chefes, dos novos mandatários. Elas querem ter a oportunidade de mostrar que são competentes em alguma atividade. Uns mostram que são ótimos puxa-sacos, outros fantásticos na arte do elogio barato e outros são experts na arte do advinhar: sabia que seria você o novo chefe. Seja bem vindo.
No final de semana, durante um papo à porta de um boteco no Centro da cidade, eu e o Edgar (ele bebeu) falávamos sobre as mudanças que ocorrem em Roraima. Chegamos à fácil conclusão de que tudo está errado, até mesmo o diálogo que levávamos.

Postado por Nei Costa, em 12:43 PM
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Quarta-feira, Novembro 10, 2004

Mudanças
Noite de terça-feira, festa na praça principal de Boa Vista. Pessoas vestidas com camisetas vermelhas e amarelas com o número 14 estampado por todos os lados. Trios elétricos, gritos histéricos. Camelôs aos montes vendendo cerveja e refrigerante. Tudo isso sob a visão periférica do grande garimpeiro.
Enquanto isso, na grande caixa branca ao lado o silêncio imperava. Vez ou outra era quebrado pelo barulho de entrada e saída de pessoas preocupadas, com semblantes de aterrorizados e pensativos no amanhã.
Nos cantos da praça grupos se reuniam para discutir o que seriam ou onde estariam a partir do dia seguinte. Eram negociações sobre divisões. Gente fazendo planos para os meses seguintes. Outros pensando na cesta básica do final de cada mês e outros no emprego prometido.
O povo é, realmente, esperançoso. Ele visualiza melhoras, soluções, novas perspectivas. Acredita que tudo pode melhorar. Ele crê, mesmo que seja numa promessa feita há anos.

Postado por Nei Costa, em 11:02 AM
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Sexta-feira, Novembro 05, 2004

Para Bush?
Na vitrola, como diz meu amigo Avery, estava rolando Nowhere man do Beatles. Perguntei: será que Lennon já conhecia Bush quando escreveu a letra?

Nowhere man
(Beatles)

Ele é um autêntico Homem de Lugar Nenhum
Sentado em sua terra de lugar nenhum
Fazendo todos os seus planos inexistentes
para ninguém

Não tem uma opinião,
Não sabe para onde está indo
Ele não é um pouco parecido com você e eu?

Homem de Lugar Nenhum, por favor escute
Você não sabe o que está perdendo
Homem de Lugar Nenhum
O mundo está sob o teu comando

Ele é tão cego quanto deseja ser
Só vê o que quer vê
Homem de Lugar Nenhum consegues ver-me?

Homem de Lugar Nenhum, não te preocupes
Pegue teu tempo, não tenhas pressa
Deixa tudo até que alguém
Te dê uma ajuda

Não tem opiniões
Não sabe para onde está indo
Ele não é um pouco parecido com você e eu?

Homem de Lugar Nenhum, por favor escute
Você não sabe o que está perdendo
Homem de Lugar Nenhum, o mundo está sob o teu comando

Ele é um autêntico Homem de Lugar Nenhum
Sentado em sua terra de lugar nenhum
Fazendo todos os seus planos inexistentes
Para ninguém
Fazendo todos os seus planos inexistentes
Para ninguém
Fazendo todos os seus planos inexistentes
Para ninguém

Postado por Nei Costa, em 11:56 AM
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Segunda-feira, Novembro 01, 2004

Trocar idéia
Ontem à noite estava esperando minha turma sair da igreja e observava um jogo de futebol entre adolescentes na quadra de uma das praças mais aprazíveis de Boa Vista.
Um rapaz chamava a atenção porque durante quase 20 minutos de jogo ele tocara apenas uma vez na bola. No final da partida ele saiu reclamando e sentou-se ao meu lado. Disse pra ele: ei cara, você é ruim demais meu. Pô, tocou só uma vez na bola. Desista desse esporte, vá tentar jogar bolinha de gude, soltar pipa, basquete, quem sabe vôlei. Mas futebol não, desista.
Em seguida um outro rapaz sentou-se ao nosso lado. Começou a ouvir nosso papo. O cara dizia: - né nada disso não. O problema é que ninguém passa a bola pra mim. E o meu pé tá machucado. Se viu aquele lance. Peguei a bola, fiz assim, assim, assim..... Perguntei se ele tinha certeza do que falava. Argumentei: aquele lance, por exemplo, que você imaginou estar lá na frente, você tava ali, naquele canto da quadra parado, com os braços abertos e olhando pro céu. Naquela outra jogada, que você pensou ter feito um gol, na verdade você tava tentando amarrar seu tênis lá do lado de fora da quadra.
O amigo dele achou estranho o papo, mas nada falou. O outro estava pensativo e de súbito virou para mim e disse: - pô cara, se tá me tirando? - Não, eu não, foram os caras que estão jogando que tiraram você. Não se lembra? Ele parou, pensou e disse: - é mesmo, se tem razâo.

Postado por Nei Costa, em 12:35 PM
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Que coisa
A coluna Deu nos Blogues teve sua primeira publicação na quarta-feira, dia 27 de outubro. O Ozama reapareceu dias antes da eleição americana. Jogador de futebol morre trabalhando. Eleições: foram quantas nos últimos 14 anos?

Postado por Nei Costa, em 12:13 PM
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