Tudo que nós precisamos é de paz e amor!

É bom:
Cerva, blues, rock'n'roll, natureza, paz, tranquilidade e um monte de coisas mais.

O ruim:
Eu evito!

Nei Costa
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Quarta-feira, Dezembro 29, 2004

Novos tempos
Dias desses parei num boteco para tomar uma gelada e logo notei um grupo de homens tomando umas e conversando alto. Como de costume (presto atenção em tudo) passei a ouvir o que eles falavam ou gritavam.
Um deles parecia mais afoito que os outros. Ele gesticulava, falava alto, vibrava, dava murro na mesa e dicustia com os outros. A cada cinco, dez minutos ele dizia: é por isso que eu não gosto dessas putaria. Na hora que o negócio vai ficar bom...pronto, temo que esperá pra daqui a pouco ou pra amanhã. É foda mesmo. Só mulher que aguenta essa merda mesmo.
Fiquei curioso e me aproximei um pouco mais. Notei que o grupo estava assistindo televisão e seus comentários eram a respeito da programação.
O mais comedido tinha um poder de interpretação e de adivinho surpreendente. Ele dizia: tá certo ela mesmo. Tinha que meter a mão na cara desse otário faz tempo. Como que o cara chega do nada e quer botar moral em todo mundo? Mas aposto que daqui a pouco ela vai dar umas porradas nele. Isso se aquela vagabunda e o seu macho salafrário deixarem.
Curiosidades a parte procurei um ângulo melhor para saber qual o programa os caras estavam assistindo. Depois de alguns minutos fiquei mais próximo da TV. Eles estavam enfeitiçados pela novela das oito.

Postado por Nei Costa, em 8:13 PM
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Quarta-feira, Dezembro 22, 2004

Vida longa
105 posts em 2004. Até hoje, mas serão uns 110 até o dia 31. Teve de tudo no Zhuada. Poema, protesto político, informação, cultura geral, enfim, um pouco de cada coisa. Ah, foram 585 comentários enriquecendo o que foi escrito por mim ou por outras pessoas. Alguns constantes, outros nem tanto, mas a maioria sempre. O resumo: é muito bom ter um blog.

Postado por Nei Costa, em 12:04 PM
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Sábado, Dezembro 18, 2004

A chegada George Harrison no céu
George Harrison faleceu em 29 de novembro de 2001, e chegou aos céus hoje. Demorou um pouco para deixar os Estados Unidos devido ao tráfego aéreo, que anda bastante complicado por lá. Mesmo tendo viajado acompanhado dos anjos de Los Angeles, a maior complicação aconteceu exatamente na porta do céu, pois São Pedro já tinha tomado uns goles por conta do fim de semana e recebeu o Beatle de cara feia.

Foto - Linda MacCartney
George foi logo dizendo: "Good morning, eu sou George Harrison..." - ao que o santo respondeu: "Eu sei, você está em todos os noticiários de hoje. Naturalmente, tá querendo entrar aqui... Mas para adentrar os portões celestiais, você tem que provar que cumpriu a sua tarefa na terra... E adianto que isso não vai ser muito fácil. Por exemplo, tem um jornalista brasileiro que disse que você saiu de lá deixando uma dívida muito grande com os teus fãs. Ele disse que você, depois que deixou os Beatles, foi ficando tão preguiçoso que nos últimos anos não fez porra nenhuma!
Harrison - Injustiça, santidade! Além dos meus últimos anos terem sido marcados pela doença, meu trabalho na banda dos anos 60 era mais relacionado com a estrutura sonora e eu sempre tive dificuldades em colocar minhas canções, devido ao fervor criativo da dupla principal. Veja o senhor que nos 4 primeiros LPs, eu só consegui colocar uma canção, que é Don't Bother Me. Já no "Help!", consegui colocar duas, I Need You e You Like me Too Much. Nas 222 músicas que nós colocamos em 26 LPs, 22 são de minha exclusiva autoria e 2 em parceria com Lennon, Paul e Starkey. Mais tarde, consegui colocar 4 canções no "Álbum Branco" e 4 no "Let It Be". No "Help!" e "Rubber Soul" eu tenho 2 em cada, e no "Revolver" tenho 3. De qualquer forma, 24 músicas significam apenas 10% das 222. Se o tal jornalista disse que eu "trabalhei pouco" por causa deste percentual, está sendo muito injusto e parcial. Pois eu criei, por exemplo, a grande maioria dos solos de quase todas as músicas!
São Pedro - Eu sei, eu sei... mas eu acho que vocês andaram explorando demais a galera! E você é cúmplice... Olha, dos 26 LPs vocês fizeram, tem muita música repetida! É uma repescagem cacete! A campeã é Can't Buy Me Love, que aparece em 8 discos. Depois vem as que aparecem em 6 LPs, olha só: A Hard Day's Night, Help, Ticket to Ride e She Loves You. Se formos pegar as que aparecem em 6, veja só o que dá : Alll You Need is Love, Yesterday, Yellow Submarine, Paperback Writer, The Long and Winding Road, Let it Be, I Wanna Hold Your Hand e Hey Jude. Que aparecem em 5 LPs tem um munte: You've Got To Hide Your Love Away, We Can Work it Out... Além disso, aquele LP chamado "Rock'n'roll Music" é todo feito de música outros cantores. Isso é sacanagem! Todo mundo pensa que Twist Shout é de vocês, mas ela é do Medley e do Russell... Afora Long Tall Sally, Bad Boy e Roll over Beethoven... Desse jeito é fácil faturar uma grana preta... E você ainda disse por lá que andou tendo problemas financeiros...
Harrison - Santidade, por favor, não me maltrate mais do que tenho sofrido! A intenção de tocar músicas dos outros é simplesmente uma forma de homenagear os nomes que abriram a estrada rock'n'Roll e nos ensinaram a língua da nossa juventude. E eu realmente entrei em dificuldades financeiras, porque além de não ter a mesma participação nos direitos autorais, andei fazendo umas besteiras nos meus negócios, falta de talento comercial... Meu negócio mesmo é meditação, filosofia... Eu sempre gostei disso... pode parecer bobagem, mas nunca fui ligado em fama, poder e grana. Veja minhas canções, eu posso mostrar ao senhor...
São Pedro - É... Mas nessa misticismo, você fez muita balada no embalo da cuca cheia de fumaça. Você falou dos discos nos quais colocou 2 ou 3 músicas. Mas no "Sgt Pepper's" e no "Magical Mystery Tour" você estava tão doido, que só conseguiu colocar uma música em cada: Whitin You Without you e Blue Jay Way.
Harrison - Santidade, nosso caminho, nessa época, era religioso, por incrível que possa parecer...
São Pedro - Religioso? Você tem coragem de me falar um negócio desses?! Chamar LSD e maconha de religião?! Deixa o Jotacê saber disso!!! Aí é que você não entra aqui nunca mais! Você acha que eu não te conheço? Quer que eu fale rapidinho o nome das tuas 26 músicas da fase beatie, em ordem alfabética? Blue Jay Way, Dig It, Don't Bother Me, For You Blue, Here Comes the Sun, l Me Mine, I Need You, I Want to Tell You, If l Needed Someone, lt's All Too Much, Long Long Long, Love You To, Maggie Mãe, Oíd Brown Shoe, Onty a Northern Song, Piggies, Savoy Truffle, Something, Taxman, The Inner Light, Think for Yourself, While My Quitar Gently Weeps, Whitin You Without You e You Like Me Too Much. Afora isso, você andou fazendo umas outras merrecas, mas nada que valha grande coisa... Pra mim, este é o teu inventário, o balanço da tua vida...
Harrison - Santidade, eu nunca gostei muito de ficar brigando com ninguém... E ando muito estressado... Além da doença, há pouco tempo tentaram me meter uma faca na barriga... Estou vendo que o senhor conhece minha vida melhor do que eu. Então não adianta ficar tentando me defender. O negócio seguinte: já vi que a barra aqui tá esquisita... deixa eu ir caçar um outro canto pra ficar...
São Pedro - Calma lá, Georgin! Você acaba de cair na Pegadinha do Pedroca! Por que você acha que eu conheço tudo dos Beatles e especialmente de você? Eu adoro vocês, cara! Entra logo, vamos lá, que Deus, Khrisna e todas as hordas e habitantes celestes estão loucos prá te ver cantando My Sweet Lord, de alma para alma! E vou te falar mais: esse alvoroço que vocês fizeram na terra mudou muita coisa no céu. Vocês conseguiram o que jamais ninguém havia conseguido antes: vamos lá, que aqui agora tá tudo liberado!
Toninho Buda
Toninhobuda@hotmail.com.br
Copyright 2001 International Magazine/Ram 2 Produção
Todos os direitos reservados

Postado por Nei Costa, em 1:26 PM
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Magia
O período que antecede o Natal é interessante. Os comerciais na televisão, os anúncios em jornais e revistas e a trilha sonora são fantátiscos. O problema é que não traduzem, verdadeiramente, uma cultura nacional. Que tal substituírmos as renas pelos veados (já em fase de extinção), os pinheiros por ipês, o dingle bells por um samba bem trabalhado? Nada contra todas as figuras alheias ao nosso verdadeiro costume, mas...

Postado por Nei Costa, em 10:22 AM
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Quinta-feira, Dezembro 16, 2004

Perigo
A difícil escolha entre o clima quente e úmido de Manaus e o quente e seco de Boa Vista. No meio termo a brisa de Rorainópolis arrastando a fumaça das queimadas.

Postado por Nei Costa, em 11:12 AM
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Quinta-feira, Dezembro 09, 2004

24 anos
Tudo estava pronto para uma viagem a Minas Gerais, 12 anos depois da última. O dia era 8 de dezembro. A passagem de ônibus estava marcada para o dia seguinte. Fui para a casa da minha irmã naquela noite para gravar algumas fitas cassetes com músicas de Pink Floyd, Led Zeppelin, Niel Young, Deep Purple, Janis Joplin, Jimi Hendrix e, claro, Beatles, Jonh Lennon e George Harrison.
No início da noite fumei um e em seguida me deparei com aquele gradiente possante. Fiz a seleção, peguei umas fitas virgens e me preparei para escolher a trilha sonora da viagem.
Estava empolgado com o cabeça de nego que conseguira. Já estava viajando. O som rolava no aparelho, enquanto a mana, o cunhado e a sobrinha dormiam. Não me lembro o nome do bairro. Acho que era jardim Campina. Era uma casa espaçosa, quintal grande com algumas plantas. Nada de anormal para a zona extrema Sul de Sampa.
A empolgação batia. Depois de 12 anos iria voltar à terra natal. As lembranças eram vagas, mas só a idéia de passar 12 horas viajando, ouvindo músicas, escrevendo e percebendo as paisagens era demais.
Saí da sala, fumei outro e voltei. Liguei o som e pensei que deveria ter na trilha Paul Simon e Art Garfunkel. Escolhi as músicas, preparei a fita e iniciei a gravação.
Pô, que chato, estou relatando o que aconteceu há 24 anos. Não importa. É a primeira vez que escrevo.
Naquele tempo walkman era, diríamos, novidade. Pensei na saída de São Paulo, congestionamento, via Dutra e movimento. Darling, please don't never break my heart. Engraçado, é um trecho da música que toca na TV. Lennon regravou. É agora, momento atual, não importa mais.
Para começar gravei Cecilia, em seguida The Boxer, Bridge Over Trouble Water, The Sound of Silence, America, Hey, Hey, my my, rock"in"roll...never die.
Olhei para o Revolver, Emplaquei Tax Man. Queria ir de taxi até a rodoviária. Eleonor Rigby chama a atenção. Sons experimentais, viagens, emoção. Peguei Sargent Peppers e não sabia o quê escolher. Every body is got something to hide except for me and my monkey. Quanta coisa boa no Branco.
God, oh meu Deus. Só tenho três fitas. Imagine se pudesse mais? Não havia fronteiras para meu gosto musical. Mutantes, O Terço, Walter Franco, enfim, muito mais.
What is life, If not for you, My sweet lord, com uma pequena ajuda dos amigos, como? Machine Head, Whola lotta love, Starway to heaven, Eric Clapton e Jeff Beck, Prisma, Smoke on the water. Nossa como gravar tudo em três fitas?
.
foto: Linda MacCartney
O tempo passou e as fitas acabaram-se. Guardei os discos, liguei o rádio e para minha surpresa, She loves you. Logo depois Help, Yesterday, Don't let me down, The ballad of John and Yoko, Imagine, Starting Over, Beautifull boy, A day in the life, God.
Olhei para o relógio acima da TV e pensei: será que vou acordar às 7 horas? Aumentei o volume do som e ouvi Yer Blues. Não acreditei. Mudei a sintonia e ouvi Woman. Lennon acabara de lançar Double Fantasy.
Passei a madrugada ligado no rádio, ligado. Estranhei todas as emissoras tocar Beatles e Lennon ao mesmo tempo. Mais uma vez não importa, é bom!
A música parou. Um locutor com voz fúnebre narrou: eram 22 e 48 em Nova York quando Mark David Chapman, em frente ao edifício Dakota, disparou cinco tiros no ex-beatle Jonh Lennon que morreu minutos depois no hospital Roosevelt. É com tristeza que anuncio. Lennon foi assassinado na noite passada em Nova York. O resto...pra quê

Postado por Nei Costa, em 11:28 AM
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Segunda-feira, Dezembro 06, 2004

Roraima é o Estado do café
Em cinco anos (99-03) o Estado de Roraima distribuiu mais de 700 mil mudas de café para supostos produtores. A notícia não é nova e nem a preocupação de um dos conselheiros do Tribunal de Contas em saber quais foram os critérios usados pela administração pública, à época, para selecionar aqueles em condições de produzir café.
Uma pessoa que anda pelos municípios, nas vicinais, nas mais distantes regiões não fica com a impressão de que em Roraima se planta café. Realmente é tarefa difícil encontrar uma plantação com mais de mil pés. Mas isso não vem ao caso. O importante é saber que somos um Estado importador de café e que aqui se compra a muda mais cara do mundo.
Essa, também, deveria ser uma preocupação do conselheiro. Sabe-se, por exemplo, que em 2001 foi aberto um processo licitatório, quando uma empresa local ganhou o direito de vender mais de 500 mil mudas de café conilon para o Estado. E olha que além do café, a mesma empresa vendeu mudas de acácia e de caju anão precoce.
Naquele ano o Estado pagou mais de um real por muda de café. Numa rápida pesquisa feita junto à uma das cooperativas de produtores de sementes de café conilon em São Gabriel da Palha (ES) verificou-se que a empresa capixaba teria condições de entregar todas as mudas pretendidas pelo governo, com transporte aéreo, pela bagatela de 33 centavos de real a muda.
Então como entender um Estado pobre como o de Roraima pagar mais de um real por muda? Fica difícil, mas é assim que alguns negócios foram feitos durante um bom tempo pela administração da época.
Essa questão é apenas mais um grão de areia nas extensas praias do rio Branco, se avaliarmos as condições econômicas atuais do Estado. Temos uma agricultura fraca em quase todos os setores, a pecuária está em decadência, indústrias de médio porte só no papel, comércio dependente do contra-cheque, enfim, enfrentamos uma situação difícil.
Esse processo de desestruturação é resultado de uma política do toma-lá-dá-cá. Eu faço a emenda, você emenda de lá e manda comprar café por um preço três a quatro vezes maior. Se eu entrego ou não as mudas é problema meu. Se quem recebe vai plantar ou jogar num dos cantos do lote é problema seu. O nosso problema é pagar por tudo. O conselheiro bem que poderia investigar isso também.

Postado por Nei Costa, em 10:28 AM
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