Sexta-feira, Janeiro 28, 2005
Interpretação
Numa primeira vez notei que os olhares se cruzavam timidamente. A timidez e a ingenuidade ficavam claras e transparentes. Não sabia o que fazer, mas o meu olhar procurava aquele olhar. Não sabia se era por curiosidade, por afetividade. Mudava a paisagem, mas o pensamento ficava naquela imagem bela, ainda de menina.
Ela me olhava profundamente, mas poderia ser superficialmente. Eu não sabia, simplesmente, se aquele olhar era confidente. Ensaiava palavras sabiamente e repensava idéias repentinamente. Queria ser um pouco mais convincente.
Numa segunda vez notei os olhares mais intensos. A timidez ficou de lado e a ingenuidade pareceu-me apenas aparência. O igual era a bela imagem, só que agora de menina mulher. Continuava sem saber o quê fazer, mas o meu olhar sentia saudades daquele olhar.
Na terceira vez notei os lábios carnudos, a pele morena jambo. A minha timidez virou sensação e meu olhar curioso transformou-se em olhar de vontade. Passei a imaginar aqueles lábios mais pertos, aquelas pernas mais próximas, aquele corpo mais junto. Passei a olhar com olhar de querer e ela aceitou com sorriso de querer também.
Segunda-feira, Janeiro 24, 2005
Interpretação
É por isso que eu amo o Brasil. Certa vez eu acompanhei uma audiência em que um garimpeiro havia sido preso por estar ilegalmente em área indígena. O senhor não sabia que naquela terra não pode garimpar? Perguntou o juíz. Eu entrei lá porque na minha carteira de identidade está escrito: válida em todo território nacional. Vai ser espirituoso assim na...
Comentário feito por Humberto Almeida no post Atestado
Quarta-feira, Janeiro 19, 2005
Uma fila
Estar numa fila qualquer é chato, enche o saco, enerva, mas ouve-se cada coisa que só ouvindo para crer. Recebi um pagamento em cheque e resolvi ir ao banco para sacá-lo. Cheguei às 10h:40 e de cara fiquei irritado com o tamanho da fila. Observei o ambiente (não costumo ir a bancos) e notei que não havia apenas uma fila, mas umas três. Respirei e tentei ficar tranquilo.
O tempo foi passando, os minutos começaram a parecer segundos e as pessoas que estavam na fila começaram a reclamar. Elas estavam contrariadas, pois a cada dois atendimentos aparecia um idoso, uma mulher com criança no colo ou uma grávida. Uma dona iniciou o debate: isso é um absurdo. Estou nessa fila a quase uma hora e ainda tenho que ficar quieta quando vem essas aproveitadoras da lei e passa na nossa frente só porque tá com uma criança no colo. Já conheço aquela mulher. Ela frequenta um monte de banco. Ela verifica o que tem mais fila e pronto, vai pra lá e se aluga por dez reais. Uma outra corroborou: é verdade! Aqui tá cheio de gente esperta. Lá na Caixa tem uns moleques que amanhecem o dia na fila para pegar as primeiras senhas. Depois eles saem vendendo os números. Aqui não tá diferente não. Aposto que essas crianças ficam numa barraca escondida lá embaixo e as mães colocam aquelas plaquinha: alugo crianças por um real o minuto.
Fiquei abismado com as declarações das mulheres, mas não dei atenção. De repente uma menina chegou perto e disse:ei, se você for ficar aqui até chegar a sua vez, cê só sai daqui lá pra uma da tarde. Olhei para a cara da menina e perguntei o que poderia fazer. Ela disse: vem até aqui. Me chamou num canto e disse que seu filho estava com sua irmã do lado de fora do prédio, mas que poderia descontar o cheque rapidinho. Bastava pagar cinco reais. Perguntei como ela faria: muito fácil. É só eu pegar o meu filho e vou direto para a boca do caixa. Ih cara, cê tá parecendo um inginorante. Será que ocê não sabe que mulher com criança no colo não precisa enfrentar filas?
Não aceitei a proposta e ainda comentei com as duas mulheres que tinham iniciado o debate sobre o assunto. Uma delas disse para a outra: não tô dizendo que esses caras pensam que somos otárias. Daqui a pouco chega o cara que estou guardando lugar para ele. Cobrei dez contos. O que não acho certo são essas que não enfrentam a fila e ainda cobram a metade do preço.
Sábado, Janeiro 15, 2005
Um sonho?
O lugar é fantástico. Na parte alta observa-se cachoeiras e quedas d'água de todos os formatos e tamanhos. Elas saem das pedras, do nada, e se transformam em quase tudo que se pode imaginar de belo, de natureza. A parede natural é formada por morros, montes e montanhas. Cada uma com seu visual particular.
No horizonte um grande lago, onde se concentra todas as águas das quedas d'água, das cachoeiras e do rio principal que corta os quilômetros de vale. Vale a pena parar para assistir esse espetáculo. Também dá uma sensação de liberdade ouvir o canto de pássaros. Até mesmo aqueles que não são tidos como grandes gorjeadores têm um gorjear belo, harmônico. Eles ajudam a enfeitar uma paisagem tomada pelo verde das matas coloridas pelos amarelos, vermelhos e rosas das flores. Eles também se misturam com o azul marcante de um céu que parece mais próximo, mais limpo, mais anil.
Quinta-feira, Janeiro 13, 2005
Propaganda
Dias desses tava conversando com um cara e ele me disse que o Sesc tinha uma atuação bem mais marcante que o próprio Ministério da Cultura quando o assunto é apoio às artes. Parei para pensar no assunto e me lembrei que na quarta (ontem, 12) seria realizado o show de lançamento do CD Música Popular de Roraima, com sons de 12 artistas locais.
Um trabalho que merece aplusos, mas não só esse como muitos outros. O Sesc, acredito que em todas as capitais brasileiras, é o grande promotor da música, arte plástica, literatura, enfim, o grande promotor de cultura. Merece essa propaganda no Zhuada.
Choppe Mas depois do show de lançamento do CD eu, minha filha Érica, meu camarada Edgar (Crônicas da Fronteira) e a Zanny (conheci naquela noite) fomos amassar umas num boteco. Falamos de mudança, de espaço e de perspectiva. Papo muito bom, mas o cara do boteco parece que não foi com a nossa cara. Primeiro veio nos perguntar se iríamos comer carne, porque ele tava a fim de desligar as labaredas do forno (acho). Disse pra ele: não, não queremos muita coisa não, basta assar aquele quarto de boi temperado que deve estar guardado lá dentro. O Cara riu e disse que não tinha problema nenhum. Limpou todas as mesas e ficou nos olhando com aquele pedido estampado no rosto. Vá embora cara. Já tô de saco cheio. Para deixar claro que já tava na hora da despedida, pedi outro choppe e o cara disse. Desculpa, mas desligamos a chopeira. Levantamos acampamento e fomos embora. Fazer o quê né?
Sábado, Janeiro 08, 2005
Atestado
Durante um almoço fiquei prestando atenção quando chegou um cara. Meio arrogante, falador, trajando bermuda e camiseta regata, observou o cardápio, verificou a estufa do self service e fez o seu pedido. Pegou um prato e fez uma montanha de comida pouca vezes vistas. Sentou-se e ficou a esperar a carne que pedira. Pediu uma coca dois litros e se engraçou para duas meninas que estavam sentadas à mesa vizinha.Comprei essa coca imaginando que duas belas gatas iam sentar perto de mim. Parece que deu certo. Aí gatinha, quer um copo de coca? A menina olhou para e disse: vê se enxerga babaca.
O cara levou tudo na moral e continuou a comer sem nenhuma preocupação. Fiquei pensando que ele não conseguiria comer toda a comida que colocara no prato, mas me enganei. Ele acabou a primeira remessa, foi até a estufa e fez nova montanha de comida. Olhou para o compartimento de salgados e doces e pediu um pastel. Ei jovem, dá um pastel daquele ali ó. O garoto olhou e disse: você quer uma banana real? O cara fez sinal positivo e reafirmou: é, mim dá um pastel aí meu. O garçom pegou a banana real (um tipo de pastel recheado com banana) e levou até o comilão. Quando o cara cortou o pastel notou que tinha banana dentro. Então chamou o garoto e perguntou: ei cara, cadê a carne desse pastel? O menino disse: esse tipo de pastel não tem carne não, só tem banana.
Meio a contragosto o cara continuou a comer, repetiu o prato mais duas vezes, (não sei até agora pra onde foi tanta comida) tomou os dois litros de coca, relaxou, palitou os dentes e chamou o garçom. Psiu, psiu! Quanto é que foi a comida aí mano? O garoto fez as contas e disse o valor. O homem, então, tirou a carteira do bolso, pegou um papel de dentro e falou para o garçom que era um atestado de pobreza. Acabei de pegar esse atestado. O garçom achou estranho e chamou seu pai, dono do restaurante, para resolver a situação. Aí, tô explicando pro garoto que passei lá na delegacia e tirei esse atestado de pobreza. O delegado disse pra eu vir comer aqui. O dono respondeu: É meu amigo, então vamos ligar pro delegado vir prender você e chamar a polícia para prender o delegado. Tá achando que isso aqui é o quê? Falou irritado. Conversaram durante alguns minutos e o cara resolveu sacar o dinheiro para pagar a conta. Pô cara, assim não dá. Esses atestados não servem para nada mesmo. Pior é que vim num lugar onde a comida nem é boa.
Quarta-feira, Janeiro 05, 2005
Será?
Comentário feito lá no André.
O homem só se culpa depois da desgraça feita, só se corrige depois de cometer vários erros e só se entende depois que não pode passar o que aprendeu para os outros.
Segunda-feira, Janeiro 03, 2005
Já
Putz! Já estamos em 2005. Parece que o tempo vai ficando escasso enquanto ficamos mais "experientes". É, a cada ano o tempo passa mais rápido.