Segunda-feira, Agosto 27, 2007
Escrito em 19 de julho
Mais um acidente aéreo resulta em centenas de mortes. Mais uma vez o alto comando do governo federal garante que punirá os culpados e que as investigações vão ser realizadas com seriedade. Mais uma vez o presidente Lula afirma que quer uma solução urgente para o problema.
Enquanto isso os familiares dos que morreram vivem dias de angústia e de questionamento. Os acidentes são coisas do acaso, do destino, ou omissão e irresponsabilidade das autoridades que deveriam tratar o público com mais respeito e honestidade?
Mas na realidade não é hora de culpar ninguém e nem de esperar por uma ação divina que traga de volta aqueles que morreram. É hora de refletir e se perguntar o que está errado no Brasil.
Vamos nos ater a questão do sistema de transporte que é oferecido para a população. Enquanto uns correm risco de perder negócios, de chegar atrasado, de se irritar ou de ter um infarto quando optam pelo transporte aéreo, outros passam pela mesma situação, tentando viajar pela via terrestre.
Nas capitais, os trabalhadores perdem horas de trabalho (descontadas em seus pontos) porque o sistema de transporte coletivo não funciona. Passam horas e horas à espera de um ônibus que uma, duas horas depois aparece completamente lotado.
Nas rodovias os perigos são constantes. Os motoristas enfrentam tantos buracos que acabam perdendo tempo, ou quando mais afoitos, a vida. Nos aeroportos as filas, o tédio e o desconforto. Há também os grandes acidentes matando de uma vez o mesmo número de pessoas que morrem de forma dosadas nas ruas, avenidas e rodovias do Brasil.
A conclusão que chegamos é a de que estamos vivendo o caos completo. Para agravar a situação os dirigentes políticos do país, senadores, deputados, ministros e presidente, estão pensando que a população é completamente ignorante. Está na hora de mostrar o contrário!
Somos um país de ladrões
Em algum site da Internet vejo uma notícia que me chama a atenção: “Quadrilha especializou-se em roubar retro-escavadeiras”. Fiquei pensando naquela manchete e imaginando como seria roubar uma retro-escavadeira. Sim, porque todo mundo sabe que uma retro-escavadeira não é pequena, não é como roubar uma galinha, ou um cacho de bananas, fáceis de levar e esconder, onde o gatuno pratica o ato na calada da noite (não necessariamente) e geralmente fica por isso mesmo. Mas uma retro-escavadeira! E aí me vieram à mente outras manchetes, comuns nos jornais escritos, falados e televisionados, com as quais nos deparamos todos os dias.
Ladrões levam R$ 300.000,00 de agencia bancária – Carro é roubado da porta de casa – Ladrões fazem um limpa no apartamento – Seu João fica sem a bicicleta – Pitbull premiado é roubado – Telhado some da noite pro dia – Antonio fica sem coleção de CDs, etc...
Se quisesse enumerar as manchetes todas, não haveria papel suficiente para tanto. Vendo e lembrando de tudo isso, cheguei a conclusão que somos um país de ladrões. Um país onde uma quadrilha se especializa (preste atenção no termo – especializa) em roubar retro escavadeiras!...E isso é somente uma que se especializou. E as outras que se especializaram em outros ramos? Já repararam que tem ladrão especialista pra tudo? Especialista pra cofre, pra carro importado, pra celular, pra cartão de crédito, pra roubar carga de caminhão (parado e andando), pra roubar aparelhos de som de carros, pra roubar turistas, pra roubar ônibus de sacoleiros de Foz de Iguaçu, pra roubar gado em fazendas, pra roubar pela Internet, pra roubar verbas públicas (esses são os piores e mais danosos, apesar de não serem violentos, na maioria das vezes, mas alguns até motoserras já usaram, lembram?), ...E por aí vai. E se fosse só roubar. Mata-se para roubar. E como se mata! E geralmente são crimes bárbaros, como o da universitária de Curitiba semana passada, assassinada por dois menores de idade, que por serem menores não podem ser presos. Matar pode, prender não.
Fico pensando onde é que vamos parar com toda essa violência. Onde está o erro, onde está o começo da falha, a origem da coisa. Será que é a falta de educação e cultura? A falta de emprego? A má gestão do dinheiro público? A falta de valores éticos e morais? A desestruturação da família? Ou será tudo isso junto?
Creio que está na hora dos poderosos desse país prestarem mais atenção na “panela de pressão”, porque daí a pouco ela pode explodir. E para um país que se diz país do futuro, talvez não haja futuro com tantos ladrões espalhados por aí, porque eles vão acabar roubando até nosso futuro.
Bruno Claudio Garmatz
Jornalista